quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Aquele teu olhar [horizonte]


Aquele teu olhar [horizonte]

Aquele teur olhar perdido me diz
quanta vida se perde,
escorrendo pelas horas, em rios,
nestes dias há tempos tão vazios...
quanta potência contida
por detrás dos processos de autoilusão.

Diz pra mim,
pra que lado fica o teu horizonte,
onde mora o seu coração...
e qual o tamanho dos teus sonhos...

Aí, sim, quem sabe,
poderei acompanhar
este teu longínquo olhar,
vazio de sentidos mundanos
e tão repleto de você.

Diz pra mim,
para onde você queria voar,
quando verdadeiramente está
perdida no infinito
do interior do teu olhar...

Diz pra mim,
conta um pouco,
um pouco da tua verdade,
sobre aquele teu olhar...

[porque no fundo... aquele teu olhar... diz muito sobre todos e sobre onde muitos de nós também deveríamos estar].

Salvador, 19 de setembro de 2017.
Carolina Grant

terça-feira, 9 de maio de 2017

Menina Mulher... Amada.


Menina Mulher... Amada.

Menina Mulher...
Aceita.
Amada.

Sensível, sublime... suavidade,
Alegria, coragem... amorosidade.

"Não.
Incompreensão".
AGRESSIVIDADE!

Mas por quê?
Para quê?
Para quem?
Onde está VOCÊ?

Acolhida, compreendida...
SIM!
Você pode!

Vem, menina...
Doce, suave, serena...
Sem defesas ou escudos... pequena.
Grande!
Menina Mulher, plena.
Amada, serena...
Aceita.

Vem, agora,
VOCÊ.
Vem, agora,
Ser plena.
Vem, agora!
                   Você.
                            Vem...


09 de maio de 2017.
Carolina Grant

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Poema da Crença (ou Canção da Criança)



Poema da Crença (ou Canção da Criança)

Criança
     Criar
          "Cuidado!"

Criança
     Criar
           "CuiDADO!"

Criança
     Criar
           "CUIDADO!"

Crian...CRENÇA?

"Não posso!
 Não faça!
 Não sabe!

 Não pode!
 Não quero!
 Não vai!"

"Não posso!
 Não faça!
 Não sabe!

 Não pode!
 Não quero!
 Não vai!"

"CRESÇA"

Crescer?

"Agora!
 Sem tempo!
 Besteira!
 Bobagem!"

"Agora!
 Sem tempo!
 Besteira!
 Bobagem!"

CRESCIDA

"Trabalho!
  Sério!"

MEDO!

"Cuidado
       CuiDADO
             CUIDADO"

"Trabalho!
  Sério!"

MEDO!

"Cuidado
       CuiDADO
             CUIDADO"

Socorro!
    Sufoco!

"Respira, não pira!"

Vida!
Criança!

Criança crescida,
Sempre criança!

CRIANÇA CRIA A VIDA!

CRIANÇA
            CRIA
                   A VIDA!


Salvador, 08 de abril de 2017
Carolina Grant (Nina)
Pós-Graduação em Desenvolvimento
Lúdico-Criativo de Pessoas
(Translluddus)

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

À beira de mim... (ou "Oração à criança ferida")


À beira de mim...

Numa tarde cinza-concreto com nuvens de prata,
eu sentei à beira de mim.
E no fundo de um abismo profundo, eu vi
Uma imensa escuridão sem fim.
Sim, eu vi,
quando sentei à beira de mim.

Não fugi, nem desviei o olhar.
Não aleguei estar sem tempo
de parar e olhar para dentro.
Não, eu vi
a minha sombra refletida,
quando sentei à beira de mim.
 
Mas também não me atirei.
À loucura profana, não me entreguei.
Haveria de enxergar por detrás ou além,
pois sentia o calor de uma chama,
e uma voz a chamar: vem.
 
Em meio a escuridão, ecos e espinhos,
Procurei encontrar um caminho
Para dentro
(pois sabia que aquela imensidão não era o fim).

Árdua foi a jornada.
Não sem dor
resistência
angústia
cansaço
Mas, enfim, encontrei.

Era só brilho estes teus (tão meus) olhos-sorriso
Pequenina, risonha, menina... Ah, menina...
Num relance, tu somes!
Num vislumbre, onde estás? 
Entre lembranças e sonhos...
 
Traz de volta a luz e a leveza 
Desta tua brincadeira
E ilumina, aquece o meu peito
Me ensina a fazer do teu jeito
Sempre a recomeçar...

Sentada à beira de mim,
eu vi...
Uma luz, uma verdade,
em forma de menina,
pequenina,
eu vi...
A iluminar a minha sombra
Com a sua centelha divina
Minha semente-menina
A mim.

Sentada à beira de mim,
eu vi...
Teu sorriso meu a brilhar lá do fundo sem fim.

...

Levantei.
Caminhei...
Luz e sombra habitam em mim
Não é razão para temer ou parar, mas para seguir.

Recomecei.

Uma pausa.

Avancei... e percebi...
Sempre que precisar,
sentarei à beira de mim.
 
Salvador, 25 de janeiro de 2017.
Carolina Grant
 

***
E você? O que vê sentada(o) à beira de si? 

sábado, 15 de outubro de 2016

Poema de brinquedo: um chamado especial


Um chamado especial

Um chamado, a minha criança ouviu.
Se escondeu, correu, encabulou...
Mas depois sorriu =).

Moleca, sapeca, boneca,
sempre quis brincar.
Mas crescida e escondida, sumira,
calara e parara de inventar.

Esperava o chamado...

E um chamado...
A minha criança ouviu.
Voltou vibrante,
Fincou lugar.
Nunca mais partiu.

06 de outubro de 2016
Carolina Grant

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Poema do Renascimento


Poema do Renascimento

Explosão. Estilhaços. Por todos os lados.
Um zumbido ecoou e ecoou e ecoou e ecoou no espaço.

Milhares de fragmentos foram violentamente arremessados.
O eco da explosão
Reverrrrberou...
Ricocheteou... Arrebatou!
Impeliu todos a saírem de seus quartos, casas, escritórios e carros.

Pôs todos a seguirem em direção ao coração da cidade.
Ao coração.
Rumores, olhares assustados.
Alguém viu? Alguém? Alguém?

Por quê? Como? De onde veio?
O que houve? Ninguém sabe. Ninguém viu.
De uma coisa, contudo, todos estavam seguros
Era impossível não sentir a energia e a intensidade vibrando no ar.
Rostos impressionados, emocionados, se entreolhavam.

Viram todas as cores emanadas da explosão. Todas elas.
O começo? Uma garota. Apenas uma garota.
Lá estava ela e de repente... não mais que de repente...
Tudo virou caos, cores e estilhaços.
Apenas uma garota. Que continha um Universo inteiro no peito.
Rompeu o tédio, o nojo e o ódio. Explodiu em sentimentos, energia, cores e abalos.

Acabou.

Virou-se pelo avesso, contorceu-se, explodiu.
Investigam se foi por Amor.
Vozes ecoam que foi pela Dor.
E alguns articulam, ainda, que foi pela Vida.
Restara sufocada pelo excesso de vida que carregava aprisionado.

De uma coisa, apenas, ninguém duvidava
Era impossível para qualquer um se esquecer do que presenciara.

Ninguém seria mais o mesmo.
O mundo reverberava em energia, com pequenas, ininterruptas explosões de liberdade e calmaria.
Viram o resultado fatal do baile de máscaras cotidiano. Testemunharam.
O eco daquele dia até hoje reverbera na memória de todos os presentes e gerações descendentes.

Era o presságio de uma nova era,
Muito além da compreensão.

Fazendo com que muitos passassem a carregar dentro de si
O germe da revolução
Revoluções internas ou externas, limitadas ou exponenciais. Tanto faz.
Minimamente o que importaria seria a inexorabilidade da reversão.
Ah, sim, ninguém poderia esquecer-se do poder transformador de um renascimento forçado.

Do poder surdo e incontrolável de desejos contidos, a vida renasceria.
E quando muitos se reunissem naquela mesma frequência. Aí, sim, seria a hora.

Entrelaçados e abraçados por uma causa libertadora,
Nada ficaria imune.
E ela seria lembrada por ter sido a primeira,
Rompera consigo mesma, rompera os seus próprios limites,
Ganhara o mundo, os céus e o universo,
Impusera a todos que escutassem o seu chamado,
Amou para além da humanidade, da vida e da finitude... Amou à Liberdade.

22 de setembro de 2016
Carolina Grant

Poema da Amargura... (Ou Reflexo)


Poema da Amargura... (Ou Reflexo)

Ninguém soube,
Quando ela foi morar longe.
Fechou a casa,
Deixou as coisas todas.
Foi-se.
De uma hora para outra,
Sem despedidas.
Nem uma carta deixara.

Ninguém soube
Do que lhe corroía o peito.
Começou fraco, cabreiro,
Mas invadiu-lhe as veias todas.
E, com o tempo,
A consumiu por inteiro.

Ninguém soube,
Quando foi bem que começou,
Quando um sentimento só
Passou a corroê-la,
Circulando em suas veias,
Transformando-as em tinteiro.

Ninguém soube
Do quanto doía por detrás das máscaras.
O riso sincero que lhe faltava
Roubaria de quem lhe roubara.
Apagaria o sorriso outro
Faria desmoronar...
Todas as fachadas.

Foi então que...

Ninguém soube
De onde saiu o tiro letal,
Porque ricocheteou naquele reflexo,
Cumpriu o seu destino...
Voltou e foi fatal.
Uma estilhaçada e a outra, com um baque, quedara.
Primeiro aquela e depois ela.

Ninguém soube
Do acerto tão tentado
Do acerto tão frustrado
Que, enfim, fora alcançado
No fim de todos os fins.

Não fora bem o que ela queria,
Mas ninguém soube,
Não, ninguém sabia.
Os poucos que a entenderiam
Já há muito lá não estavam.

Tantos anos...
Ninguém soube...
Ninguém viu...
Ninguém pôde...
Curar... Parar... Evitar...

Acabara... Ou talvez...
Acabará...
Noutras vidas.

Mas acabaram os sussurros, os murmúrios e os lamentos
Restou apenas aquele silêncio...
Definitivo.

...

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21 de setembro de 2016
Carolina Grant